Guia técnico gratuito

DrywallDo básico ao avançado

Guia completo da Leveza Engenharia: planejamento, materiais, ferramentas, passo a passo de instalação e situações especiais como curvas, área molhada e placa anti-chama — 26 temas em 4 módulos.

Leia tudo aqui embaixo, direto na página — não precisa baixar nada.

Módulo 1 — Planejamento

Antes de qualquer parafuso, o planejamento certo evita retrabalho e orçamento estourado.

01 —

O que é drywall e por que ele existe

Drywall (gesso acartonado) é um sistema construtivo a seco: chapas de gesso fixadas sobre uma estrutura metálica, sem alvenaria, sem massa em parede inteira e sem tempo de cura de argamassa.

O sistema é formado por poucos componentes que se repetem em qualquer obra: perfil metálico (guia e montante), chapa de gesso, parafusos, fita e massa para tratamento de juntas. É essa simplicidade que torna a execução rápida e previsível quando bem planejada.

Comparado à alvenaria convencional, o drywall é executado em dias em vez de semanas, pesa uma fração do peso de uma parede de blocos (reduzindo carga na estrutura do prédio), gera muito menos entulho e permite alterar o layout de um ambiente no futuro sem quebra-quebra.

É usado em divisórias residenciais e comerciais, forros, sancas, home theaters, revestimento de paredes já existentes e, em obras maiores, em shafts e paredes de compartimentação corta-fogo.

Ambiente com paredes internas em drywall já finalizadas e pintadas
Ambiente com paredes internas em drywall já finalizadas e pintadas Foto: Senapa / Wikimedia Commons — ver original ↗
Importante: Drywall não é “gesso comum”. É um sistema normatizado — no Brasil, regido principalmente pelas normas ABNT NBR 15758 (chapas) e NBR 15759 (execução) — que define espessuras, tipos de chapa e método de instalação.
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02 —

Análise inicial do projeto

Antes de cotar qualquer material, é preciso entender o que a obra realmente precisa: layout, função de cada ambiente e restrições do local.

Reúna a planta baixa ou tire as medidas exatas do ambiente, defina a finalidade de cada espaço (quarto, banheiro, sala comercial com necessidade acústica) e confira o pé-direito disponível.

É nessa fase que se decide entre parede simples, parede reforçada ou forro — a escolha depende de privacidade acústica, presença de umidade e cargas que a parede vai precisar suportar no futuro.

Também é o momento de mapear tubulações e pontos elétricos previstos, para já considerar os reforços e vãos necessários na estrutura metálica.

Medidas exatas do ambiente — comprimento, largura e pé-direito em cada ponto.
Finalidade do ambiente — residencial, comercial, área molhada ou área técnica.
Pontos elétricos e hidráulicos previstos — definem reforços e vãos na estrutura.
Cargas futuras — armários, TV, prateleiras — planejar reforço agora evita abrir parede depois.
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03 —

Visita técnica: o que avaliar no local

Nenhum orçamento fechado sem visita técnica — muita coisa que decide o resultado final só aparece quando se pisa na obra.

Confira o nivelamento do piso e da laje, o prumo das paredes existentes e sinais de umidade aparente antes de fechar qualquer proposta.

Identifique o tipo de estrutura do prédio (laje maciça, treliçada, forro de madeira) — isso muda o método de fixação da guia superior e dos pontos de sustentação do forro.

Avalie também o acesso para entrada de material: chapas de 1,80m x 1,20m não passam em qualquer corredor ou elevador, e isso precisa entrar no cronograma.

Profissional conferindo o nível de uma parede recém-erguida em obra
Profissional conferindo o nível de uma parede recém-erguida em obra Foto: U.S. Navy / Wikimedia Commons — ver original ↗
Dica: Meça o pé-direito em pelo menos três pontos diferentes do ambiente — lajes raramente são perfeitamente niveladas, e essa diferença muda a quantidade de perfil necessária.
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04 —

Definindo o sistema: parede simples, parede dupla e forro

A escolha do sistema certo para cada situação é o que separa um orçamento preciso de um orçamento genérico.

Parede simples (uma chapa de cada lado, montante de 48, 70 ou 90mm) atende a maioria dos ambientes internos comuns, como divisórias entre cômodos de um mesmo apartamento.

Parede reforçada ou dupla (duas chapas de cada lado, muitas vezes com lã de isolamento) é usada em paredes de divisa entre unidades, home theaters, consultórios e qualquer ambiente que exija desempenho acústico maior ou mais resistência mecânica.

O forro em drywall tem estrutura própria, diferente da parede, e é a solução mais usada para embutir iluminação, dutos de ar-condicionado e esconder instalações no teto.

Estrutura de parede em drywall com montantes e guias metálicas, ainda sem as chapas
Estrutura de parede em drywall com montantes e guias metálicas, ainda sem as chapas Foto: P199 / Wikimedia Commons — ver original ↗
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05 —

Lista de materiais e cotação

Uma cotação precisa nasce do cálculo correto de quantidade por metro quadrado — chutar a quantidade é o erro mais comum de quem está começando.

Calcule chapas por m² de parede (considerando os dois lados) ou de forro, perfis pela soma de guias no perímetro e montantes a cada 60cm, parafusos na proporção aproximada de 26 a 30 unidades por m², e metros lineares de fita conforme as juntas previstas.

Não esqueça buchas e parafusos de fixação da guia em alvenaria ou laje, e o material de isolamento acústico ou térmico, se o projeto exigir.

Chapas de drywall sendo descarregadas em pilhas num canteiro de obra
Chapas de drywall sendo descarregadas em pilhas num canteiro de obra Foto: KeepOnTruckin / Wikimedia Commons — ver original ↗
Dica: Sempre considere de 10% a 15% de perda na cotação de chapas e perfis — cortes, ajustes e pequenos erros de medição fazem parte de qualquer obra e evitam uma segunda compra no meio do serviço.
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06 —

Cronograma da obra

O tempo de execução do drywall costuma surpreender pela rapidez — mas o tratamento de juntas tem um ritmo próprio que não pode ser acelerado.

Uma sequência típica é: marcação (cerca de 1 dia), montagem da estrutura metálica (1 a 2 dias), fechamento de um lado com chapas, passagem de instalações elétricas e hidráulicas ainda com a parede aberta, fechamento do segundo lado e, só então, o tratamento de juntas.

O tratamento de juntas normalmente leva de 3 a 5 dias, porque cada demão de massa precisa secar por completo (em geral 24 horas) antes da próxima ser aplicada — apressar essa etapa é a causa mais comum de trincas de acabamento no futuro.

No total, uma obra de porte médio costuma ficar pronta em 1 a 3 semanas, um prazo muito menor do que o de uma parede em alvenaria com seus tempos de cura.

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Módulo 2 — Fundamentos técnicos

Os materiais e componentes que formam o sistema — e quando usar cada um.

07 —

Tipos de chapa: Standard (ST), Resistente à Umidade (RU) e Resistente ao Fogo (RF)

A chapa é o coração do sistema — escolher o tipo errado é o erro mais caro de se corrigir depois de pronto.

A chapa Standard (ST), branca, é a de uso geral, indicada para ambientes internos secos como quartos, salas e escritórios.

A chapa Resistente à Umidade (RU), identificada pela cor verde, tem aditivo hidrofugante no núcleo e é usada em ambientes com umidade eventual — banheiros (fora da área de água direta), cozinhas e áreas de serviço.

A chapa Resistente ao Fogo (RF), rosa, tem fibra de vidro no núcleo e retarda a propagação do fogo. É usada em shafts, escadas de emergência e paredes de compartimentação exigidas por projetos de segurança contra incêndio.

Chapa de drywall Standard (ST), na cor branca característica
Chapa de drywall Standard (ST), na cor branca característica Foto: Placo do Brasil — ver original ↗
Importante: RU não substitui impermeabilização em box de banheiro — ela resiste à umidade do ambiente (vapor, respingo), mas a área com água direta precisa de placa cimentícia com impermeabilização adequada.
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08 —

Placa cimentícia: quando ela substitui o drywall

A placa cimentícia é um material diferente do gesso acartonado, usado exatamente onde a chapa RU não é suficiente.

É a escolha certa para áreas externas (varandas, fachadas), boxes de banheiro com água direta, áreas de churrasqueira e qualquer ponto que vá receber revestimento cerâmico ou porcelanato pesado diretamente sobre ela.

É mais pesada que o drywall, exige parafusos específicos, corta de forma diferente e pode receber argamassa e porcelanato sem o mesmo tratamento de selador usado no gesso.

Pilha de placas cimentícias, material usado em áreas molhadas ou externas
Pilha de placas cimentícias, material usado em áreas molhadas ou externas Foto: Michael Holley / Wikimedia Commons — ver original ↗
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09 —

Perfis metálicos: guias e montantes

A estrutura metálica é o esqueleto da parede — o dimensionamento errado do perfil aparece depois, em forma de parede que “flete” ou range.

A guia é o perfil em formato U fixado no piso e no teto, que recebe o montante. O montante é o perfil em C que fica na vertical, encaixado dentro da guia, e é nele que as chapas são parafusadas.

As larguras mais comuns são 48mm, 70mm e 90mm, escolhidas conforme a altura da parede, a necessidade de isolamento acústico e o espaço disponível para instalações.

O espaçamento padrão entre montantes é de 60cm, eixo a eixo — reduzido para 40cm em paredes reforçadas, pé-direito muito alto ou pontos que vão receber carga adicional.

Perfis metálicos verticais (montantes) de uma estrutura de drywall
Perfis metálicos verticais (montantes) de uma estrutura de drywall Foto: Analogue Kid / Wikimedia Commons — ver original ↗
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10 —

Parafusos e fixadores: qual usar em cada situação

Escolher o parafuso certo evita problemas que só aparecem meses depois: ferrugem, chapa rasgada ou fixação que solta.

Parafuso ponta agulha é usado para fixar a chapa em perfil metálico fino; ponta broca, para perfis mais espessos ou fixações estrutura-com-estrutura. A cabeça trombeta é a padrão, projetada para afundar levemente sem rasgar o papel da chapa.

O comprimento varia com a espessura do fechamento: 25mm para chapa simples, 35 a 41mm para chapa dupla ou reforços.

Para fixar a guia em alvenaria ou concreto, usa-se bucha e parafuso ou pino de aço apropriado. Para cargas pesadas — armários, TV de grande porte — o parafuso de chapa sozinho não é suficiente: é preciso reforço interno (placa OSB ou perfil adicional) previsto ainda na instalação.

Parafuso de drywall com cabeça trombeta, em close-up
Parafuso de drywall com cabeça trombeta, em close-up Foto: MrX / Wikimedia Commons — ver original ↗
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11 —

Ferramentas necessárias para a instalação

A lista de ferramentas do drywall é menor do que a de uma obra de alvenaria — mas a precisão pesa mais do que a força.

Kit de ferramentas para instalação de drywall: espátulas, trena, serrote e desempenadeira
Kit de ferramentas para instalação de drywall: espátulas, trena, serrote e desempenadeira Foto: Plaster Comercial — ver original ↗
Trena e nível a laser — para marcação e conferência de prumo e nível.
Riscador ou estilete — para cortar a chapa no tamanho exato.
Serra tico-tico — para recortes especiais, como pontos elétricos.
Parafusadeira com profundidade regulável — evita rasgar o papel da chapa ao fixar.
Tesoura de corte de perfil (guilhotina) — para cortar guias e montantes.
Desempenadeira e espátulas — para aplicação e acabamento da massa.
EPI — óculos e máscara — o pó do lixamento de gesso é fino e se espalha fácil.
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12 —

Isolamento acústico e térmico

Desempenho acústico é o item que mais gera reclamação de cliente quando não é planejado desde o início.

A lã de vidro ou lã de rocha, preenchendo o vão entre os montantes, é a solução mais usada tanto para isolamento acústico quanto térmico.

Chapa dupla aumenta a isolação pelo princípio massa-ar-massa: duas camadas de material com um vão de ar entre elas isolam mais do que uma camada só, mesmo mais espessa.

Lã de vidro colocada entre os montantes antes do fechamento da parede
Lã de vidro colocada entre os montantes antes do fechamento da parede Foto: Leroy Merlin Brasil — ver original ↗
Dica: O isolamento acústico depende mais da vedação das bordas do que da espessura da lã — uma fresta de poucos milímetros ao redor da parede pode derrubar o desempenho acústico pela metade.
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13 —

Organização do canteiro de obra

Drywall é um sistema limpo comparado à alvenaria, mas ainda exige organização para não gerar retrabalho.

Armazene as chapas na horizontal ou apoiadas na vertical, sempre protegidas da umidade e sem contato direto com o chão.

Delimite uma área de corte para reduzir a dispersão de pó de gesso pelos ambientes já prontos, e planeje o descarte do resíduo — massa e gesso não devem ir para ralos ou tubulações.

Proteja pisos e móveis de ambientes vizinhos antes de iniciar, e organize a sequência da obra para não recontaminar com pó um ambiente que já está em fase de acabamento fino.

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Módulo 3 — Passo a passo de instalação

Da marcação da guia até o acabamento final, na ordem em que a obra acontece.

14 —

Marcação e fixação das guias

A marcação é a etapa que decide se a parede final vai ficar no prumo e no esquadro — erro aqui se multiplica em todas as etapas seguintes.

Guia metálica sendo fixada no piso conforme marcação
Guia metálica sendo fixada no piso conforme marcação Foto: Leroy Merlin Brasil — ver original ↗
1
Marcar a linha no piso. com nível a laser ou linha de giz, seguindo exatamente o projeto.
2
Transferir a marcação para o teto. usando prumo ou o próprio laser, garantindo que a linha superior fique exatamente acima da inferior.
3
Fixar a guia inferior. com bucha e parafuso adequados ao tipo de piso (concreto, laje, contrapiso).
4
Fixar a guia superior. seguindo o mesmo espaçamento de fixação da guia inferior, em geral a cada 40 a 60cm.
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15 —

Montagem dos montantes

O espaçamento e o prumo de cada montante definem a rigidez final da parede.

Encaixe o montante dentro das guias, superior e inferior, e confira o prumo com nível antes de seguir para o próximo.

O espaçamento padrão é de 60cm eixo a eixo, reduzido para 40cm em paredes reforçadas. Adicione montante extra nos vãos de portas, janelas e em qualquer ponto que vá receber carga fixada no futuro.

Montantes encaixados nas guias, formando a estrutura da parede
Montantes encaixados nas guias, formando a estrutura da parede Foto: Leroy Merlin Brasil — ver original ↗
Importante: Nunca parafuse o montante na guia nas pontas — a estrutura do drywall é projetada para ter uma pequena folga de acomodação. Travar tudo de forma rígida pode gerar trincas no acabamento.
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16 —

Fixação das chapas

É nesta etapa que a parede ganha sua primeira forma — e onde um detalhe de montagem evita trincas visíveis meses depois.

Parafuse a chapa a cada 25 a 30cm ao longo do montante, deixando um vão de cerca de 1cm entre a chapa e o piso — ela não deve tocar o chão diretamente.

O parafuso deve afundar levemente na superfície, o suficiente para depois ser coberto com massa, sem rasgar o papel da chapa.

As juntas entre chapas de um lado da parede devem ficar defasadas em relação às juntas do lado oposto. Juntas alinhadas dos dois lados criam um ponto de fraqueza estrutural exatamente na mesma linha, o que favorece o aparecimento de trincas.

Chapa de drywall sendo parafusada na estrutura metálica
Chapa de drywall sendo parafusada na estrutura metálica Foto: Leroy Merlin Brasil — ver original ↗
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17 —

Instalação do forro de drywall

O forro tem estrutura própria, diferente da parede, e o nivelamento é o item mais crítico da instalação.

Utilize linha de laser em todo o perímetro do ambiente para garantir que o forro fique perfeitamente nivelado, mesmo que a laje não esteja.

A estrutura é fixada na laje por tirantes ou pendurais, com espaçamento definido conforme o peso previsto de luminárias e equipamentos de ar-condicionado.

Reforços em pontos que vão receber peso — luminárias grandes, ventiladores de teto — precisam ser previstos antes de fechar o forro.

Estrutura suspensa de aço para forro de drywall, fixada na laje por pendurais
Estrutura suspensa de aço para forro de drywall, fixada na laje por pendurais Foto: Portal Metálica — ver original ↗
Tabica de gesso no encontro entre forro e parede, criando um efeito de sombra (shadow gap) com iluminação embutida
Tabica de gesso no encontro entre forro e parede, criando um efeito de sombra (shadow gap) com iluminação embutida Foto: Blog Artesana — ver original ↗
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18 —

Elétrica e hidráulica embutidas

O momento certo para passar as instalações é antes de fechar o segundo lado da parede — depois disso, qualquer ajuste custa muito mais caro.

Eletrodutos e caixinhas devem ficar apoiados e fixados na própria estrutura metálica, nunca soltos dentro do vão da parede. Os montantes já vêm com furos pré-cortados para a passagem de fiação.

Hidráulica embutida em drywall exige tubos apropriados para essa aplicação e pontos de inspeção previstos no projeto.

Instalação elétrica embutida na estrutura metálica antes do fechamento
Instalação elétrica embutida na estrutura metálica antes do fechamento Foto: Portal Metálica — ver original ↗
Importante: Teste toda a instalação — elétrica ligada, hidráulica pressurizada — antes de fechar o segundo lado da chapa. É a etapa mais barata para corrigir um erro; depois de fechada e com o tratamento de juntas feito, o custo de abrir a parede de novo é muito maior.
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19 —

Tratamento de juntas: aplicação da fita

O tratamento de juntas é o que determina se a parede parece “de gesso” ou fica com acabamento invisível.

Aplique a primeira demão de massa diretamente sobre a junta entre as chapas e embuta a fita de papel (ou fita telada, conforme o sistema) ainda com a massa fresca, removendo o excesso com espátula.

Aproveite esta etapa para tratar também as cabeças dos parafusos com uma leve camada de massa.

Deixe secar por completo — no mínimo 24 horas — antes de iniciar a próxima demão. Massa que ainda não secou por dentro racha ao ser lixada ou recoberta.

Aplicação de massa e fita nas juntas entre chapas de drywall
Aplicação de massa e fita nas juntas entre chapas de drywall Foto: Leroy Merlin Brasil — ver original ↗
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20 —

Tratamento de juntas: acabamento com massa

A segunda e a terceira demão são o que realmente nivelam a superfície e escondem a linha da junta.

A segunda demão alarga a faixa de massa para além da fita, cobrindo cerca de 20 a 25cm de largura.

A terceira demão, de acabamento, alarga ainda mais — de 35 a 40cm — com uma camada bem fina, para que a transição entre a massa e a chapa não fique visível como um degrau.

Cada demão precisa secar totalmente antes da seguinte, e um lixamento leve entre as camadas — e no final, antes da pintura — é o que garante a superfície lisa.

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21 —

Acabamento final e pintura

A chapa de gesso é porosa e absorve tinta de forma desigual sem um preparo adequado antes da pintura.

Lixe toda a superfície com lixa fina e aplique um selador acrílico, que uniformiza a absorção da chapa e evita manchas na pintura final.

Se o ambiente tiver luz rasante ou exigir acabamento ainda mais liso, uma camada de massa corrida pode ser aplicada antes da tinta.

Aplique no mínimo duas demãos de tinta. Antes da pintura definitiva, use uma lâmpada de obra rente à parede para detectar qualquer imperfeição na superfície — é a forma mais eficaz de encontrar falhas que passam despercebidas em luz normal.

Ambiente com paredes e teto em drywall finalizados e pintados
Ambiente com paredes e teto em drywall finalizados e pintados Foto: VivaDecora Arquitetura — ver original ↗
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Módulo 4 — Situações especiais e avançado

Curvas, área molhada, placa anti-chama, erros comuns e manutenção — para ir além do básico.

22 —

Drywall curvo: paredes e sancas em curva

Curvas são um diferencial técnico que poucas equipes dominam bem — e são um dos acabamentos mais pedidos em projetos de padrão mais alto.

Existem duas técnicas principais: o perfil calandrado, dobrado sob medida numa calandra para o raio exato da curva, e a chapa com cortes na aba para acompanhar curvas mais suaves.

Para raios mais fechados, a chapa pode ser levemente umedecida para ganhar flexibilidade antes de curvar — uma técnica que exige experiência, já que o excesso de água compromete a resistência da chapa.

O perfil calandrado é mais caro, mas entrega um acabamento mais preciso e uniforme, e é o método usado pela Leveza em sancas e painéis decorativos em curva.

Parede curva executada em drywall
Parede curva executada em drywall Foto: Placo do Brasil — ver original ↗
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23 —

Drywall em área molhada

“Área molhada” não é sinônimo de “pode molhar direto” — essa confusão é a causa da maioria dos problemas de umidade em drywall de banheiro.

É preciso distinguir área de respingo ou umidade do ar (onde a chapa RU funciona bem, como a parede externa ao box) de área de contato direto com água (dentro do box), que exige placa cimentícia com impermeabilização adequada.

O detalhe da base da parede é crítico: a vedação no encontro com o piso precisa impedir a entrada de água por baixo, mesmo com o revestimento pronto.

Chapa Standard (ST) nunca deve ser usada em banheiro, mesmo em pontos aparentemente secos — a umidade do ambiente por si só já é suficiente para degradar esse tipo de chapa.

Banheiro em obra com placas cimentícias, antes do revestimento cerâmico
Banheiro em obra com placas cimentícias, antes do revestimento cerâmico Foto: Cimento Itambé — ver original ↗
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24 —

Placa anti-chama: onde é obrigatória

O uso da chapa RF não é uma opção de acabamento — em determinados pontos, é exigência de norma de segurança contra incêndio.

Shafts de instalações, escadas de emergência e paredes de compartimentação em edifícios comerciais e residenciais multipavimento costumam exigir chapa RF.

Em projetos que passam por aprovação do Corpo de Bombeiros, a especificação de RF em pontos determinados é definida pelo Projeto de Segurança Contra Incêndio (PSCI) — não é uma decisão que cabe apenas ao instalador, e sim ao projeto aprovado.

Placa de gesso acartonado RF (resistente ao fogo), na cor rosa característica
Placa de gesso acartonado RF (resistente ao fogo), na cor rosa característica Foto: MetalPerfil — ver original ↗
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25 —

Erros comuns na instalação

A maioria dos problemas que aparecem meses depois de uma obra de drywall tem origem em um pequeno atalho tomado durante a instalação.

Trinca visível em junta de parede de drywall
Trinca visível em junta de parede de drywall Foto: Placo do Brasil — ver original ↗
Não intercalar as juntas dos dois lados da parede — resulta em trincas visíveis já nas primeiras semanas.
Espaçar os montantes além do recomendado para economizar perfil — deixa a parede com flexão e sensação de “oca”, além de risco de trinca.
Usar chapa ST em área úmida — leva ao surgimento de mofo e degradação em poucos meses.
Não testar elétrica e hidráulica antes de fechar a parede — obriga a abrir a parede pronta para corrigir qualquer erro.
Pintar sem aplicar selador antes — faz a tinta ser absorvida de forma desigual, deixando manchas visíveis.
Não vedar as frestas nas bordas ao instalar isolamento acústico — derruba o desempenho acústico do sistema, mesmo com lã de boa qualidade.
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26 —

Manutenção e reparos

Uma das vantagens do drywall é que o reparo é rápido e, bem feito, não deixa rastro visível.

Furos pequenos, de buchas ou quadros, fecham com uma camada de massa e um leve lixamento.

Avarias maiores, como um impacto que perfura a chapa, são resolvidas com um retalho de chapa do mesmo tipo, fixado e tratado nas bordas com fita e massa, no formato conhecido como remendo “borboleta”.

Se o dano tiver origem em infiltração, a causa precisa ser resolvida antes de qualquer reparo estético — senão o problema volta a aparecer no mesmo ponto.

Reparo sendo feito em um furo de parede de drywall
Reparo sendo feito em um furo de parede de drywall Foto: Blog Artesana — ver original ↗
Dica: Para pendurar objetos leves e médios em drywall pronto, buchas específicas para chapa (do tipo metálica expansiva) resolvem sem precisar localizar o montante. Para objetos pesados — armários, TV de grande porte — o reforço interno precisa ter sido previsto ainda durante a instalação.
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